Fala-barato

Fala-barato
This is not a parrot

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Um mau dia.....

Todos nós certamente já tivemos maus inícios de semana, mas o do Ministro Álvaro Pereira de hoje bateu todos aos pontos.

Reflectindo sobre o assunto cheguei a duas hipóteses:
1ª Hipótese - O Sr. Ministro passou os últimos 3 meses a assinar uns milhares de acordos de investimento no nosso país e os cheques desse investimento estão já a ser depositados nas contas da CGD;

2ª Hipótese - O Sr. Ministro analisou as contas para 2012, olhou para os "rátios" e pensou "epá se as coisas continuarem assim a crise é capaz de acabar em 2012". Só se esqueceu que os números eram capaz de o contradizer...

Apesar de o meu desejo fosse mesmo que se tratasse da 1ª hipótese, temo que a realidade nos empurre para a 2ª.

Com estas declarações em mente, assisti calmamente ás noticias do dia, e com excepção do "fait-divers" do Sr. Deputado Paulo Campos, cuja seriedade toda a gente lhe reconhece, percebi que os juros da divida da Grécia a 2 anos chegaram aos 110% (ainda não fechou, esta empresa????), os da Espanha a baterem nos 6%, a direita Grega que diz que não assina o acordo de salvação, a Sra. Merkel que num congresso da CDU deu a entender que os países incumpridores que se cuidem porque se vão ter de virar sozinhos no futuro,com excepção claro se os incumpridores forem a Alemanha ou a França.Percebi ainda que a Itália depois de Berlusconi procura um Primeiro Ministro como deve ser, que no mesmo país se prevê o despedimento de 300 mil funcionários públicos nos próximos tempos, que em Espanha se tenta acabar com a "siesta" e finalmente que em Portugal, a crise vai começar a ter os seus dias contados em 2012.

A história por vezes dá-nos sinais que os nossos políticos deviam apreender antes de fazerem declarações com esta dimensão.
Segundo consta, já D. Afonso Henriques, quando derrotou as tropas leais à sua mãe, na Batalha de São Mamede, disse alto e bom som para quem o quis ouvir: "Esta vitória é o primeiro sinal de que estamos perto do fim da crise que assola o nosso pequeno território!!"(história fictícia...ou talvez não).

"Das duas três", ou a crise é surda pois já ouvi o Pinho, o Sócrates, o Lino, o Vieira da Silva, o Lello e outros demais a preverem o fim dela e ela não ligou nenhuma (e o Deputado Paulo Campos na altura não pediu a demissão de ninguém!!); ou é teimosa pois apesar de tantos já terem previsto o seu fim, ela decidiu ser casmurra e chamou o FMI, a UE e o BCE só para confirmar se ela estava mesmo em condições de terminar ou não; ou o Ministro Álvaro teve simplesmente uma má 2ª feira, que eu sinceramente espero não se repita.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ainda há quem odeie a NATO? Mesmo esta nova NATO 2010-20?

Esta intervenção da Nato na Líbia tinha a novidade de não ser comandada pelos EUA, nem ter tropas invasoras de ocupação. Formou-se um "novo eixo", de responsabilidade principalmente franco-italiana. Aliás como penso que irá acontecer na Síria, para dividir despesas políticas e saldos de guerra, e também sob os auspícios da NATO, mas com o comando da Turquia, que é a única potência bem aceite pelos sírios para intervir no seu território. Por outro lado, serve de bombom para acalmar Erdogan e a sua "quase ditadura" dos reveses ocidentais que tem tido, afirmando-se finalmente como potência regional, pós-Ataturk.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Oposição

O PS ainda existe? Os bons que conheço do PS, estão fechados na sua tenda com vergonha. Cada País tem o PS que merece. Os maus, andam por aí, como os outros. E que os há maus, pois há. Em todos os partidos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não sou economista.....

Em dia de apresentação do OE 2012 gostava que reflectissem no seguinte:

Neste momento o mais importante é criar condições junto da UE, BCE e FMI para que estes percebam que estamos empenhados em devolver ao país a credibilidade que nos permita recorrer novamente aos mercados com condições sustentáveis para o país.
Só assim podemos depois renegociar prazos com as instituições que nos estão a emprestar o dinheiro para recuperar da situação em que nos encontramos.

E só depois de se fazer essa renegociação será possível pensar em crescimentos económicos.

Por isso vamo-nos deixar de hipocrisias politicas e ajudar o país a recuperar a nossa dignidade.

domingo, 16 de outubro de 2011

Retóricas idiossincráticas

O governo apresentou o Orçamento de Estado para 2012 e os ânimos exaltaram-se. Mais uma vez, como em todas as outras vezes nos últimos dois anos, o povo português, (mal) representado pelas suas elites, deu provas da sua inquestionável falta de bom senso. Os títulos que anunciavam a nossa calamidade multiplicaram-se logo na manhã seguinte. Os arautos da desgraça atiraram farpas ao governo e vaticinaram, mais uma vez, a queda em desgraça do nosso pobre país que há muito se arrasta pelas ruas da amargura e do desespero. Uma realidade cuja certeza nem ao leitor mais desatento escapará. Todavia, o massacre perpetrado pelas sucessivas manchetes sensacionalistas têm apenas um efeito – deprimir de forma mais intensa um povo que há muito se encontra deprimido com o estado a que o Estado chegou.
E na imensidão deste vasto mar de incerteza quanto ao futuro para o qual fomos arrastados pela crise financeira em que estamos mergulhados, existe apenas uma questão premente que me apoquenta o espírito – qual será a real finalidade de tudo isto?
As medidas tomadas são lesivas das legítimas expectativas alimentadas ao longo das últimas décadas, e disso não tenho a menor dúvida. As mesmas medidas são igualmente necessárias para que o nosso país tenha um sopro de esperança em erguer-se desta cratera na qual nos encontramos presos. E nesta dicotomia aparente surge uma outra pergunta – enquanto cidadãos, contribuintes e trabalhadores seremos tão egoístas ao ponto de não perceber que mais vale abdicar de parte do nosso rendimento do que ver mais pessoas iguais a nós caírem nas teias cada vez mais densas do desemprego???
Com muita tristeza minha começo a pensar que sim, que existem pessoas egoístas a esse ponto. Pessoas que não percebem que os “outros”, amanhã, podes ser eles próprios.
Muito elevam o tom de voz, pejado de indignação (parece que a palavra e o sentimento estão na moda), para que uma só pergunta se faça ouvir – será que todo este sacrifício valerá a pena? Gostava de ter a resposta para esta simples pergunta, tão carregada de significado e comoção, mas não tenho. A única coisa que sei é que se não tentarmos, se não dermos todos um pouco mais, esta cratera em que nos encontramos corre o real risco de se tornar um buraco negro, e desses é praticamente impossível escapar.
Valerá a pena? Não sei. Mas quero muito acreditar que valerá a pena tentar.

Sinais

Podem dizer o que quiserem, especialmente depois da tristeza que vi hoje no "eixo do mal", mas este é um sinal que eu não me lembro de nenhum alto cargo da Nação ter dado desde o 25A.