A caneta vermelha rabiscava sentenças pouco inspiradas: "insuficiente!", "médio" com a clara consciência de que, de qualquer forma, não surtiriam qualquer efeito. Pois, assim sendo, não valia a pena perder tempo com lirismos pedagógicos descabidos. Aliás as produções dos alunos não incitavam a mais: tudo de fraco a medíocre. Um ou dois escapam a esta escala reduzida como oásis no meio de um longo e penoso deserto. Estava a chegar ao fim desta caminhada inglória quando se me deparou esta obra: "Amélia, como vai? Eu todo bem". Entre dois bocejos, deixo passar o galicismo como vai e corrijo o u de"tudo". Sigo a leitura: "Eu fui na Los Angeles durante as férias. Tu onde fui?". Risco o n escusado e rectifico onde foste?. Continuo: "Durante meu férias, eu rencontrar o amor da meu vida, ele se chama Pedro". Esta frase deixa claro que a aluna desconhece as regras relativas aos possessivos portanto dou a devida emenda, risco o r do previsível galicismo "rencontrar" e fecho os olhos sobre o brasileirismo do pronome mal colocado. Continuo: "Pedro é muito sympatico e muito gira. Eu sou maluque d'ele". Substituo enfastiado o y pelo i, ponho os acentos nos respectivos lugares, viro o adjectivo para o masculino. Troco a expressão da segunda frase: Eu estou louca por ele. Era o ponto final do exercício de expressão escrita. Chegou a hora de avaliar estas linhas parcas e débeis. Os meus olhos desciam pelas linhas riscadas a vermelho como sangue derramado das feridas sintáxicas ponderando no valor mais adequado para tamanho massacre linguístico. Quando subitamente tomei consciência de que estava a ajuizar com um olhar frio e clínico de pedagogo o ardor, o entusiasmo, o regozijo duma adolescente apaixonada. Afinal entre verbos desconjugados e possessivos desacordados batia o coração duma adolescente por um rapaz chamado Pedro. Toda a actividade do corrector se concentrara na tinta vermelha da caneta sem possibilidade de ver além dos erros ortográficos e infracções gramaticais. Confesso que não senti culpa nenhuma.
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
A caneta vermelha
A caneta vermelha rabiscava sentenças pouco inspiradas: "insuficiente!", "médio" com a clara consciência de que, de qualquer forma, não surtiriam qualquer efeito. Pois, assim sendo, não valia a pena perder tempo com lirismos pedagógicos descabidos. Aliás as produções dos alunos não incitavam a mais: tudo de fraco a medíocre. Um ou dois escapam a esta escala reduzida como oásis no meio de um longo e penoso deserto. Estava a chegar ao fim desta caminhada inglória quando se me deparou esta obra: "Amélia, como vai? Eu todo bem". Entre dois bocejos, deixo passar o galicismo como vai e corrijo o u de"tudo". Sigo a leitura: "Eu fui na Los Angeles durante as férias. Tu onde fui?". Risco o n escusado e rectifico onde foste?. Continuo: "Durante meu férias, eu rencontrar o amor da meu vida, ele se chama Pedro". Esta frase deixa claro que a aluna desconhece as regras relativas aos possessivos portanto dou a devida emenda, risco o r do previsível galicismo "rencontrar" e fecho os olhos sobre o brasileirismo do pronome mal colocado. Continuo: "Pedro é muito sympatico e muito gira. Eu sou maluque d'ele". Substituo enfastiado o y pelo i, ponho os acentos nos respectivos lugares, viro o adjectivo para o masculino. Troco a expressão da segunda frase: Eu estou louca por ele. Era o ponto final do exercício de expressão escrita. Chegou a hora de avaliar estas linhas parcas e débeis. Os meus olhos desciam pelas linhas riscadas a vermelho como sangue derramado das feridas sintáxicas ponderando no valor mais adequado para tamanho massacre linguístico. Quando subitamente tomei consciência de que estava a ajuizar com um olhar frio e clínico de pedagogo o ardor, o entusiasmo, o regozijo duma adolescente apaixonada. Afinal entre verbos desconjugados e possessivos desacordados batia o coração duma adolescente por um rapaz chamado Pedro. Toda a actividade do corrector se concentrara na tinta vermelha da caneta sem possibilidade de ver além dos erros ortográficos e infracções gramaticais. Confesso que não senti culpa nenhuma.
Domingo, Novembro 01, 2009
L'homme du XXIème siècle
Les historiens futuristes tenteront de comprendre comment l'être humain du XXIème siècle a pu se proclamer "moderne" tout en se comportant de façon aussi irrationnelle. Oui, sinon comment qualifier autrement une société qui autodétruit son habitat naturel ? Comment qualifier une époque où le régime suprême, "la démocratie", se définit comme un système où des millions d'individus remettent pouvoir et argent entre les mains d'une poignée d'individus beaux-parleurs, aux intérêts particuliers? Une époque où les individus se croient libres alors qu'ils n'ont jamais été tant esclaves psychiquement d'objets extérieurs: médias, consommation, marques, etc... Un temps où l'on foule volontiers au pied nos valeurs et jusqu'au bonheur afin d'accéder au contentement éphémère de la consommation ou aux divertissements faciles ... Une époque où l'on prône la paix tout en construisant des armes. Une époque où les moyens de communication séparent les hommes. Une époque où l'on désinvestit les secteurs de la santé, de l'éducation, de la justice où l'on veut marchander avec la nature...
Les historiens seront obligés de décortiquer nos esprits malades en lisant nos mémoires anonymes, les blogs, les rapports des psychologues, en fouillant dans nos disques durs afin de reconstituer la complexité de notre époque. Une époque où les gens nommaient progrès la destruction de la nature, les nuisances urbaines, l'extension du monopole des médias, la "pipolisation" du pouvoir, l'aliénation de l'homme, le formatage de l'individu à la faveur d'un système économique plutôt que l'inverse, etc...
« Notre boulot, c'est de vendre à Coca-Cola du temps de cerveau humain disponible ». Cette phrase achèvera de brouiller l'esprit de l'historien du futur. Il constatera que, à notre époque, l'espace informatif saturait à tel point de scandales que finalement plus personne ne s'offusquait plus de rien. Un scandale en chasse un autre et notre mémoire à court-terme fait place aux nouveaux esclandres brefs et passagers. On oublierait presque que ces remous politico-médiatiques impliquent notre pouvoir et notre argent dont, en bons citoyens, on se débarrasse avec tout la bonne conscience et le contentement que la démocratie procure. L'excès de rhétorique et de blabla nous ferait presque douter de l'évidence. L'homme politique se présente face caméra manipulant les mots de façon à rendre socialement présentables des réformes aux logiques froides et calculatrices ou en balayant le scandale d'une pichenette verbale sans rougir.
"Ces gens marchaient sur la tête" se dira l'historien. Il faudra qu'il tienne en compte le fait que nous vivions le nez dans l'époque sans capacité d'analyser objectivement le cours de s choses ou avec le recul des années et des siècles. Nous vivons avec insouciance notre temps persuadés que nous avons, dans les pays industrialisés, aboli toutes les entraves, les allégeances, l'asservissement et que nous avons, au terme de révolutions sanguinaires, bâti une société plutôt juste et égalitaire nommée:" démocratie". On pense que l'oeuvre est achevée, aboutie, parfaite... La façade, en effet, ne manque pas d'allure...
Sexta-feira, Outubro 16, 2009
Da interdependência entre Tv e Mediáticos
Terça-feira, Agosto 25, 2009
Lectures 2008-2009
En rouge mes préférés:
- Auto da Compadecida, de Suasuna
- Dol (BD)
- Valse avec Bachir (BD)
- Le Diable Boiteux, Lesage
- Lendas e Narrativas, A. Herculano
- Tout Seul, Chabouté (BD)
- La Demoiselle aux Yeux Verts, M. Leblanc
- Les Pauvres Zhéros (BD)
- Lazarillo de Tormes (relecture)
- Mes Hommes de Lettres, Meurisse (BD)
- Les Ensembles Contraires (BD)
- Gil Blas, Lesage
- From Hell, Alan Moore (BD)
- La Curée, Emile Zola
- La Barre-y-va, Maurice Leblanc
- L'Agence Barnett & Cie, Maurice Leblanc
- Don Quichotte I, Cervantes
- Le Défi des Enfants Bilingues, ?
- La Ferme aux Animaux, Orwell
- La Fortune des Rougon Maquart, Emile Zola
- Le Pavillon des Cancereux, Soljenetsine
- Vindima, Miguel Torga
Quarta-feira, Março 25, 2009
Caro amigo,
Sábado, Março 07, 2009
O Dia da Morte do meu Gato
Fomos ao veterinário e confirmou-se a presença de um tumor no estômago do bicho. Os últimos dias passou-os sem alegria, dormindo pelos cantos, comendo pouco ou nada. Já mal ronronava. Assinámos os papéis e o veterinário foi à dispensa buscar o produto. Preparou a seringa da anestesia.
Eu acariciava a cabeça felpuda que procurava em vão na minha mão -a mesma mão que assinara o acordo para a eutanasia- a salvação. Das minhas mãos recebeu o último afago e a condenação à morte. O bicho adormeceu. A veterinária procurou uma veia e introduziu a agulha, injectou-lhe uma dose. No entanto, a respiração ainda que irregular mantinha-se, dando sinais que o organismo lutava pela vida. Mas, não lhe demos hipótese. Nova dose e a respiração cessou por completo.
Apertei a mão da veterinária com lágrimas nos olhos. Gaguejei um "obrigado" e fugi como quem tem vergonha. Quando subi para o carro sem o corpo do bicho arrependi-me de ter optado pela incineração. Voltei para trás.
Quando cheguei a casa abri uma cova funda ao pé do lilás no qual afiava as unhas e enterrei aquele corpo leve e sem vida.
No passado escrevi dois textos sobre ela: A Filosofia do meu Gato & Bicho.
Passamos três dias a vaguear pela casa sem rumo. O animal, tão pequeno, discreto e silencioso acabara por ocupar um espaço enorme nas nossas vidas ao longo dos cinco anos. Eu nem sequer gostava de gatos e a nossa história tinha começado mal, com muita desconfiança e distanciamento. Hoje, parece que a vejo nos quatro cantos da casa como outrora. Atrás da janela quando fecho a persiana, nas escadas quando me levanto de manhã, no jardim quando estou a limpar o canteiro... Apesar de saber que morreu, a minha imaginação guarda reflexos antigos e engana a minha percepção. Isto dura menos de um segundo.
Plantamos umas flores que vou regar todos os dias.
Lendas e Narrativas, Alexandre Herculano
Arras por Forro de Espanha, (1371-72, 1ère narrative) raconte l’histoire du roi D. Fernando et de son épouse D. Leonor qualifiée d’ « ambitieuse, fausse et corrompue ». Le monarque apparaît comme un être faible manipulé par son épouse. Le peuple de Lisbonne lui reproche le mariage avec une femme déjà mariée auparavant. Il s’agit selon les mœurs de l’époque d’un déshonneur. D. Fernando réprime cruellement un complot et laisse le roi de Castille mettre à feu et à sang la ville de Lisbonne afin d’assouvir les bas instincts de sa femme.
A Abóboda (1401) raconte l’histoire d’un chef de chantier responsable de la construction du monumental monastère de Batalha. Le roi D. João I entre en scène pour admirer l’édifice et rendre l’honneur à cet architecte portugais Afonso Domingues. Cette nouvelle historique serait un hommage rendu par l’écrivain à ses ancêtres qui appartenaient à ce corps de métier.
A Dama Pé de Cabra é un conte bien connu au Portugal : une dame aux pieds de chèvre demande à son mari de ne jamais se signer. Le jour où, par mégarde, il se signe elle disparaît. Quelques années plus tard elle intervient en faveur de son fils pour délivrer son père constitué prisonnier en terre morisque.
O Bispo Negro (11 30) met en scène D. Afonso Henriques refusant de se soumettre aux ordres du Pape et prêt à décapiter un de ses émissaires car il est menacé d’excommunication. En effet, le Saint Pontife ordonne au roi de libérer sa mère car suite à la bataille de São Mamede D. Afonso Henriques la jette en prison. Le Clergé ne voulant pas soumettre à la volonté de ce roi rebelle, celui-ci decide de nommer un Maure évêque de Coimbra.
A Morte do Lidador (1170) a lieu pendant les Croisades propres à la péninsule ibérique et met en scène la mort d’un preux chevalier.
L'avis personnel: La capacité à tendre un décor contemporain à chaque époque est admirable. Cependant, il semble que les qualités littéraires n'arrivent pas à la hauteur de l'érudition de l'Historien. Par exemple, la question de l'adultère dans la 1ère narrative émeut assez peu le lecteur tant le dilemme est désuet aujourd'hui. Comploter pour un remariage? L'intrigue ennuie car Alexandre Herculano échoue à nous transmettre la problématique autrement que de façon intelletualisée. Dans A Abóbada l'insistance de l'architecte évoque aussi un code de l'honneur complètement caduque de nos jours en plus de chanter la gloire de l'humble artisan portugais aux dépens de l'arrogant étranger. Les fausses notes narratives (ex: les personnages sont toujours très irritables et colériques) démontrent que Herculano brillait bien plus en tant qu'Historien qu'en tant que Romancier.